:: A energia interna e os canais por onde ela circula

A thai massagem em sua terra natal, Tailândia, é conhecida pelo nome de

nuad bo’rarn. Ainda que a massagem tailandesa utilize muito mais técnicas do

que o simples amassamento de músculos, a palavra thai “nuad” é comumente

traduzida para o inglês como massagem, um termo originado no grego messon,

que significa “amassar”.

No ocidente a massagem é muito associada ao relaxamento físico e emocional,

constituindo uma alternativa valiosa para um dos males mais debatidos do período atual,

o estresse.

Na Tailândia, assim como em vários países da Ásia, a terapia manual desempenha uma

importante manipulação física que através de suas técnicas atua em grupos musculares

e complexos articulares, relaxando, alongando, prevenindo, ajustando e corrigindo

alinhamentos estruturais, sendo solução para problemas mais sérios.

Baseando-se em teorias sobre o funcionamento dos sistemas neuro-músculo-esquelético, o terapeuta em  nuad bo’rarn atenta para a função mecânica das estruturas, atuando para um melhor desempenho destas funções, promovendo em sua terapêutica estabilidade, amplitude e conforto necessários para a movimentação corporal do paciente.  

Além disso, a antiga medicina tailandesa defende que o estimulo aplicado externamente, ou seja, sobre a pele, é capaz de provocar efeitos sistêmicos explicados pelas teorias de pontos e canais de energia que estão localizados ao longo do corpo.

Este conceito de pontos energéticos e linhas por onde circula a força interna que garante vida e disposição está presente em cerca de noventa e cinco (95) tradições médicas da humanidade. Desde os rishis* que desenvolveram o sistema do Ayurveda na Índia aos índios Qeros* no Peru, somando-se a eles a medicina chinesa, tibetana, japonesa e a antiga medicina grega há um consenso de que a saúde depende da presença desta energia interna.

Atualmente, diversas terapias manipulativas ganharam destaque no cenário da saúde ocidental utilizando teses concordantes com a descrita acima. Convém citar a eletroestimulação no sistema Jing-Luo de acupuntura chinesa, a terapia japonesa shiatsu, a reflexologia estudada e ensinada pelo Dr. Chapman e a teoria de pontos gatilhos miofasciais de Dr. Travell, técnicas que não se preocupam apenas com a anatomia estrutural e afirmam efeitos internos produzidos pela manipulação externa além de descreverem em seus sistemas o escoamento de uma substância ou fluído entre pontos e canais específicos no corpo.

Esta substância ou fluído é vista na Tailândia como a energia interna, presente em cada célula e responsável pela vida em toda a estrutura corporal. Os tailandeses utilizam o termo “palang sak” para se referirem a ela, um conceito que na Índia atende pelo nome de “prana”, na China “chi”, no Japão “ki”, no Tibet “tsog lung”, no Peru “animu” e os gregos a definiam como “pneuma”.

Pneuma no grego é uma palavra que significa “respiração, alma ou espírito”. Esta definição também se assemelha nas outras culturas mencionadas, como na Índia, que apresenta na disciplina de exercícios corpóreos do hatha-yoga, treinos respiratórios que atendem pelo nome de pranayamas. Prana significa respiração, enquanto yama denota, controle. Outros textos da antiga Índia também definem prana como alma.

A importância dada a respiração nestas diferentes tradições aproxima o elemento ar do que seria a energia interna. Os Puranas, textos ancestrais encontrados na Índia, definem que, o que diferencia a vida da morte é o vento que circula internamente pelo indivíduo. Ideia encontrada na tradição médica tailandesa, onde o vento recebe o nome de “lom”. Distribuído pelos tecidos e circulando pelos canais de energia que são denominados como “Sen”, em condições normais de bem-estar “lom” flui distribuindo ânimo e vitalidade. Quando a saúde é desequilibrada, “lom” circula pobremente ou fica estagnado em um determinado ponto do corpo, causando cansaço, tristeza, falta de ânimo e fadiga.

O cansaço altera o metabolismo, acelera o ritmo respiratório e aumenta a pressão arterial. Pessoas cansadas tendem a se tornar inquietas, os músculos perdem glicogênio e o sangue acumula substâncias químicas como ácido lático, o que favorece a irritabilidade e a insônia. A falta de energia vital gera além de nervosismo, perda de apetite, interesse sexual e depressão.

Todas estas condições vão contribuindo para a instalação de doenças na pessoa. A sanidade física e até mesmo a emocional dependem da circulação do vento pelas linhas de energia ao longo da estrutura corpórea do indivíduo. Movimento que depende de estados emocionais de alegria e contentamento, descanso necessário, alimentação saudável, prática de exercícios físicos e atividade intelectual.

Estas são recomendações muito antigas das tradições médicas orientais e tanto em instituições de cura natural como em hospitais na Tailândia, acredita-se no fluxo energético que percorre 72 mil canais distribuídos pelo corpo, dando-se ênfase a dez principais trajetos, que constituem as dez principais linhas “Sen”.

por Diego Carlos Marquete

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