Shivago, o médico de Buda

Durante o período de reinado de Bimbisara, no reino de Magadha na Índia, uma criança nasceu. Era o filho de uma das cortesãs do rei que assim que pariu o menino o colocou em uma caixa de madeira e lançou-o ao lixo. Nesta mesma manhã, o filho mais novo do rei Bimbisara, o príncipe Abhaya, montado em seu cavalo, retornava ao castelo vindo de uma de suas viagens.

Abhaya percebeu aquela caixa e o choro de uma criança. Desceu rapidamente do cavalo, as botas afundaram na lama e suas vestes sujaram-se em meio toda aquela imundice. Ao abrir a caixa ele deparou-se com um menino envolto em um frágil pano de algodão, molhado e sujo, num pranto desesperador. Protegendo a criança com sua túnica ele retomou o cavalo sob uma tormenta que aumentava cada vez mais e dirigiu-se para o castelo.

Ao chegar ao palácio entregou o bebê as empregadas que o tomaram e trataram de acalmá-lo. Elas o levaram para o quarto do príncipe, lavaram e envolveram o pequeno em vestes limpas e quentes. Depois alimentaram o garoto que estava faminto. Durante o resto da manhã o pequeno dormiu sob o olhar atento e fascinado de Abhaya.

Passado alguns dias, tomado por imenso carinho e apego, Abhaya decidiu que o garoto ficaria no castelo e que seria criado como seu filho. Deu a criança um nome, Jivaka, o qual veio a ser conhecido também pelo nome de Komarabhaccha que quer dizer, “erguido pelo príncipe”.

 

 

Jivaka cresceu como uma criança comum ou nem tanto para os costumes daquele tempo. Era inteligente, questionador, inquieto e de bom coração. Diferente dos outros meninos não sonhava em ser um soldado ou o general do Rei, não ambicionava sangrentas batalhas ou exímia habilidade com espadas, mas, possuía fascínio pelo conhecimento da medicina.

Quando se tornou um adolescente, ele foi enviado à distante cidade de Taxila no estado de Gandara.

Taxila era uma importante cidade universitária da época. Fundada por um rei indiano chamado Taksha Khanda a cidade recebeu o nome de “Terra de Taksha”, ou na língua da região, Taxila. Atualmente, uma cidade do Paquistão.

Foi nesta cidade que Jivaka estudou por sete anos tendo como professor um célebre mestre em medicina ayurveda, grande conhecedor das propriedades curativas das plantas e execução de cirurgias.

Já no final de seus estudos, o mestre de Jivaka lhe deu uma última tarefa. Com uma pá em mãos o jovem foi incumbido de caminhar pelas colinas de Taxila e coletar todas as ervas que não tivessem utilidade medicinal alguma. O estudante caminhou por dias analisando a flora da região e após uma longa reflexão retornou para a casa do tutor e expôs que não conseguirá encontrar nenhuma planta que não tivesse propriedades curativas para ajudar homens e animais.

O mestre de Jivaka sorriu, o rosto marcado pela velhice revelou uma quantidade enorme de vincos na pele escurecida pelo sol. Estendendo a mão ele deu ao jovem algumas moedas suficientes para que voltasse para casa, tudo que ele havia para ensinar havia sido feito.

por Diego Carlos Marquete

Shivago retornou a Taxila após concluir seus estudos, tornou-se médico do imperador Bimbisara e médico do Buda, que por aqueles tempos caminhava pela capital de Magadha.

 

Shivago tornou-se um dos monges da comunidade do Buda e durante este período como desenvolveu sua técnica, baseando-se nos alongamentos do yoga e na pressão de músculos e pontos, dando assim os primeiros passos para a criação da thai yoga massagem ou na língua local da época nuad borarn.

 

Hoje, ele é considerado um homem santo pelos tailandeses. Foi um  conhecedor da medicina indiana, das plantas curativas, do yoga e de pontos energéticos, que auxiliaram no desenvolvimento de sua arte médica, uma ciência de prevenção, intervenção, tratamento e cura para os males do corpo decorrentes do déficit na circulação de energia interna.

 
 

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