A ciência da Reflexologia

por Diego Carlos Marquete


A palavra reflexologia, diz respeito a um estímulo aplicado no corpo com efeito em uma região distante da manipulada, existindo diversas áreas reflexas, sendo as mais comumente apresentadas nas mãos, orelhas, vísceras e pés. Nesta publicação abordaremos a reflexologia podal, que é o estímulo aplicado no pé, com reflexo em outra região do corpo, produzindo efeitos físicos e emocionais, seguindo a tradição tailandesa, a qual possui semelhanças com a tradição chinesa.

Existem diversas teorias sobre a origem da reflexologia podal, associando a técnica aos povos egípcios, indianos e chineses, o que dificulta determinar sua raiz, apesar da larga crença na Ásia, de que a mesma tenha surgido na China, em período que remonta a 2500 a.C. provavelmente durante e até mesmo antes ao reinado do imperador Huang Di, também conhecido como o Imperador Amarelo, ao qual é atribuído a criação de diversos elementos da cultura chinesa como o calendário, a astrologia, o feng shui e a própria medicina.

Huang Di, 2697 a.C., foi um grande interessado pelas ciências médicas, havendo inúmeros relatos históricos de conversas e questionamentos do monarca para com seus ministros acerca de temáticas relacionadas à saúde humana. Das conversas do soberano para com os súditos, originou-se o importante livro da medicina chinesa intitulado “Huang Di Nei Jing”, traduzido como “Cânone do Imperador Amarelo”, obra fundamental para os estudiosos da medicina tradicional chinesa, composta de 2 livros com 81 capítulos cada, e que entre seus ensinamentos, descreve 66 pontos nos pés para diferentes tratamentos.

A origem da medicina chinesa está intimamente vinculada à três imperadores do passado. Fu Xi, 2805 a.C, é um herói mitológico considerado o criador da nação chinesa e também descrito como o criador das agulhas de acupuntura. Shen Nong, 2698 a.C., conhecido como o Imperador Vermelho, desenvolveu a medicina à base de ervas e Huang Di é considerado o desenvolvedor do primeiro clássico da medicina tradicional chinesa, embora acredita-se que os textos do “Cânone do Imperador Amarelo”, tenham sido compilados em 200 a.C. durante a dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.); período também das primeiras produções de papeis na China, substituindo os registros em xilogravura, técnica utilizada desde o século VIII, e na qual encontram-se ilustrações de pontos energéticos no corpo que incluem os pés.

Nesta mesma época (200 a.C.), registros históricos escritos por Sima Qian, mencionam um médico famoso chamado Yu Fu, que tratava seus pacientes com massagens nos pés. A utilização dos estímulos táteis na região dos pés não é somente um achado importante na história médica da China, mas também presente em outras partes da Ásia, como Índia, aonde a massagem e a manipulação dos pés, ilustram os cuidados terapêuticos das tradicionais medicinas e da cultura espiritual e religiosa.

O panteão hindu, que tem como principais deuses Bramam, Vishnu e Shiva, apresenta em uma de suas ilustrações, o Deus Vishnu recebendo massagem nos pés pelas mãos de sua esposa, a deusa Lakshmi. Apesar de análises da representação sugerirem uma compreensão espiritual de humildade e amor diante da divindade, um desenho dos pés de Vishnu, revelado no século XVIII, descreve vários símbolos em pontos específicos na sola dos pés do Deus hindu. Mesmo que, não esteja totalmente claro o que representa cada símbolo, a localização dos mesmos assemelha-se aos pontos reflexos dos principais mapas conhecidos na atualidade.

Além da religião hindu, o budismo, vertente religiosa também desenvolvida na Índia, baseada na vida do príncipe Sidarta, que abandona seu reino e suas riquezas para atingir a iluminação, sob o nome monástico de Gautama, nos revela a importância dada aos pés como símbolo de longevidade e boa saúde. Contam os antigos livros budistas, que a mãe do príncipe recebia massagem nos pés para auxiliar os órgãos sexuais na intenção de engravidar, acontecimento que teve certa dificuldade e tomou tempo na vida da rainha de Kapilavastu.

De fato, a utilização da massagem como método para prevenir o adoecimento, auxiliar na recuperação da saúde e dos sistemas, além de prolongar a vida é muito antiga e presente em diferentes culturas, como a grega, aonde Hipócrates 430 a.C. descreve a importância do médico aprender a massagear o corpo do doente para melhorar aspecto e a nutrição da pele, irrigar os tecidos e músculos, prevenindo e auxiliando nos processos de recuperação de injúrias dos pacientes.

Historicamente difundido, os documentos mais antigos acerca da reflexologia são datados de 2500 a 2330 a.C. e oriundos do Egito, tratando-se de um pictograma, desenho ou pintura rupestre da antiguidade, descoberto durante escavações em 1899, no túmulo de um médico oficial do Rei, chamado Ankhmahor, em Saqqara, sítio arqueológico que serviu como necrópole da antiga cidade de Mênfis.

Embora estudiosos coloquem que Ankhmahor não tenha sido um médico e sim um importante oficial ligado ao VI Reino do Egito, seu túmulo é conhecido como “O Túmulo do Médico”, devido as cenas de práticas médicas retratadas nele e aonde se pode encontrar a famosa imagem que retrata dois pacientes recebendo massagem, um nos pés e o outro nas mãos, sugerindo assim ser conhecido na época a prática da reflexologia e sua utilização como técnica de prevenção ou de tratamento, de acordo com a avaliação médica a cerca dos distúrbios encontrados.

Ao longo da história da técnica, diferentes linhas de reflexologia se desenvolveram, há registros na América, relatando a técnica entre os índios, na Europa e na Ásia; cada uma abordando teorias e um mapeamento específico dos pés, porém, apresentando inúmeras semelhanças entre as mesmas.

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