Buda, o Iluminado

por Diego Carlos Marquete

A lua ergueu-se sobre o bosque de Lumbini. Por entre as árvores um pequeno cortejo atravessava a floresta levando a rainha de Kapilavastu, grávida de quarenta semana, para a casa de sua mãe. À época, esta era a tradição; as mulheres davam à luz na casa de suas mães, mas a longa viagem não foi suportável e a rainha, de nome Maya, precisou parir sob árvores de macacarecuia, o coco da Índia.

As damas da corte que acompanhavam a viagem formaram um círculo e nas mãos de Kumbira, a criada mais velha, a rainha deu a luz no meio da noite ao filho primogênito do rei, abençoado pela lua. 

“-Sidarta”, disse a mãe, erguendo-o em direção aos céus. O nome do menino revelava como um premonição, pois em sânscrito quer dizer: “aquele que realizou todos os desejos”. 

Todos a volta admiraram o herdeiro do trono do rei Suddhodana, o Grande Rei, conquistador de vários territórios e que naquele momento se encontrava em batalha. A rainha perdeu muito sangue no parto e já de volta ao castelo, ao sétimo dia da lua cheia de maio, no calendário ocidental, recebeu a visita de Mara, o demônio da morte, e abandonou seu corpo.

O príncipe Sidarta cresceu entre os muros do castelo e por muito tempo não se afastou dos limites impostos por seu pai. Suddhodana queria transformar o garoto num hábil guerreiro, mas as previsões de Canki, o sacerdote astrólogo do rei eram a de que o menino seria um religioso. Tomando os pequenos pés do príncipe ainda bebê, Canki falou ao rei: “-Seu filho será um rei. Mas não será o rei do teu reino. Ele será o rei de todos os reinos.”

Temendo a profecia, Suddodhana impôs a Canki a missão de fazer com que o garoto seguisse a vontade do pai e não aquilo que fora previsto pela astrologia. O rei decidiu afastar o garoto do contato com a dor, doença, velhice e morte, limitando-o ao cerco do castelo. Porém, quando ainda adolescente, o jovem indagou o professor Canki sobre o mistério que havia na borboleta com a qual ele brincava no jardim. 

“-Porque ela não se move mais? Ela estava voando e de repente parou! Eu não entendo, exclamou o garoto com o rosto coberto de suor. Canki, sem saber o que dizer, desviou o assunto, mas aquilo intrigou para além daqueles dias.

Sidarta teve toda a riqueza possível, conforto, luxo e prazeres. Na adolescência apaixonou-se por uma jovem chamada Sujata. Conta os livros do Sri Lanka que Sujata foi assassinada pelo primo do príncipe, o qual invejava a paixão dos dois. Quando do sumiço de Sujata, Sidarta implorou ao pai para que procurasse a jovem. O pai nada fez e então o príncipe pediu ajuda ao seu fiel amigo Channa, o adestrador de cavalos para sair dos limites do castelo.

Na viagem em busca de Sujata, Sidarta deparou-se com experiências novas as quais jamais havia imaginado. Primeiro, ele encontrou uma pessoa velha e sem saber do que se tratava indagou a Channa: -O que é isto?

Channa respondeu: Esta é uma pessoa que já viveu muito e agora percebe seu corpo físico iniciar um processo de destruição.

Surpreso, o príncipe questionou: -Eu estou sujeito a isso?

Channa sorrindo revelou: -Todos estamos sujeitos ao fim.

A viagem continuou, Sidarta e Channa encontraram uma pessoa doente e as mesmas perguntas foram feitas pelo Buda, obtendo as mesmas resposta. Depois, foi a vez de encontrarem um homem sendo cremado e Channa explicou que o que existia já não mais existe. O príncipe não questionou se estava sujeito àquilo, pois já sabia ele a resposta.

Por fim, encontraram em meio aquele caos um monge. Ele meditava com um sorriso no rosto, calma e pacificamente. A imagem ficou gravada na mente do herdeiro de Sudoddhana, que retornou ao castelo com uma pergunta que iria mudar a sua vida: -Porque sofremos?

Um ano depois, o herdeiro do reino escolheu a sua esposa entre várias pretendentes. Casou-se com uma jovem de nome Yashodhara, foi pai e aos 29 anos de idade, com o apoio da esposa, decidiu iniciar sua peregrinação, não levando consigo, apenas o desafio de sanar as feridas de sua alma. Numa tentativa de alcançar a iluminação impôs a si mesmo mais dor e por muitas vezes pensou em retornar para o conforto do lar e das pessoas que lhe faziam falta. Perdido entre as florestas ele sentava e meditava sob grandes árvores ouvindo o som dos pássaros e sentindo o vento. Enquanto acalmava a respiração e silenciava a mente, descobria um abrigo onde podia se refugiar e sentir paz, o próprio interno.

Após sete anos de peregrinação, vivendo como um monge, o príncipe dos Sakhyas, que agora atendia pelo nome monástico de Gautama, alcançou a iluminação,” sob uma figueira, a árvore de Mahabhodi em Bodhgaya, na Índia.

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